vol.1
n. 05_ modos de subjetivação na cidade 
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n. 05 _ modos de subjetivação na cidade
 
vol.1
n.4 _ corpografias urbanas  
 
vol.1
n. 3 _ cidade como campo ampliado da arte 
 
vol.1
n. 02 _ cidades imateriais  
 
vol.1
n. 01 _ paisagens do corpo   
   
 

re[dobra] #5

Culminância de ações. Às vésperas do início das atividades do CORPOCIDADE, completamos mais uma edição da nossa revista. De início, chamou-se [dobra], des[dobrou]-se, e nesta, re[dobra],  traz como tema os modos de subjetivação na cidade. O debate é uma proposta de encontro. Subjetividades e afetos. Pensamentos e ações. Corpo, cidade, culturas. Encantamento entre arte, arquitetura, dança, teatro, performances, cinema, academia e a rua. E ainda, manifestações possibilitadas: multiplicidades encarnadas da vida urbana. Aqui somos Plataforma de ação que ecoa nos diálogos estabelecidos nas entrevistas, nas conversas com autores, pesquisadores e artistas; que percorre as sessões temáticas propostas e trilha eixos de experimentações urbanas, ao mesmo tempo em que difunde idéias, hipóteses, pensamentos, eventos... e cidade.

Na entrevista, Robert Pechman, Luis Antônio Batista e Eliana Kuster aprofundam as reflexões a cerca das esferas da subjetivação enquanto processo fundante da nossa condição singular e coletiva na vivência urbana. Na reportagem, trazemos o conjunto de atividades que serão desenvolvidas entre os dias 22 e 31 de outubro em Salvador durante a primeira edição do projeto Dez dias de cidade e cultura, coordenado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia/FUNCEB, sob a ótica de diversos campos, como arquitetura e urbanismo, artes visuais, cinema e dança. Silvana Olivieri, curadora e coordenadora da 1ª Mostra do Audiovisual Urbano, é provocada com algumas questões sobre a disposição do cinema e suas vivências nas paisagens intraordinárias.

No artigo “Outros Olhos: as ru(s)gas da cidade e seu desvelamento nos discursos contemporâneos”,  Eliana Kuster  aborda num viés crítico a problemática contemporânea da sociabilidade urbana, cujo processo aponta para o abandono do social e da urbanidade, numa conversão rasa e despolitiza das singularidades em curiosidade e da política do universal em política particular. Uma conjuntura urbana em que a diferença passa por um intenso processo de contenção e achatamento pela lógica hegemônica do consumo. Jussara Setenta, professora do PPG Dança - UFBA, nos apresenta o ensaio “Fazer-Dizer Performativo em Dança: corpo; cidade; performatividade ”, em que corpos, cidades e dança se organizam e se enunciam, impermanentes, em “definição” constante. Também presente nesta edição, o artigo de Helena Katz, “A Dança, pensamento do corpo”, publicado no livro O Homem Máquina. Para um pensar do/no corpo, como uma arquitetura de processos que se tramam e se percorrem, resultando em movimentos nascentes, resultantes em dança, esta “que impede o movimento de morrer de clichê”.

Um outro espaço da Cidade do Salvador é revelado pelo ensaio fotográfico que ilustra a sessão corpoSSA. O bairro Barbalho é aqui retratado nos seus corpos errantes que são capturados pela lente de Diogo Costa, um cearense, figurinista, que atualmente trabalha em Salvador, na adaptação do romance Capitães da Areia para o cinema. Noutro passeio, agora metalingüístico, o sociólogo Julio Lira relata e ensaia impressões sobre as vivências do projeto cearense "Movimento Improváveis", junto com Joubert Arrais em outro texto. Ambos refletem sobre o ato de passear, de um olhar dito improvável para a relação entre corpo e cidade, e que nos faz perceber enunciações outras que desestabilizam nossa experiência prática e nos colocam num exercício estético e ético de perceber em nós cidades em estado de passeio.

Já as intervenções nos percursos existenciais é um tema que atravessa os trabalhos dos três leitores que interferem nessa edição. Iazanna Guizo nos fala do “upgrade” do espaço da barca Rio-Niterói, onde a experiência da travessia – em contato sensorial com o mar, o vento e o horizonte distante da Baía da Guanabara – foi substituída pela experiência do ritmo da metrópole, reproduzido em um novo ambiente fechado em si que poderia ser tanto de um avião quanto de uma agência bancária. Jurema Cavalcanti e o Coletivo TEIAMUV exploram o modo de ser “instável” dos corpos e dos espaços da Rocinha – comunidade habitacional informal localizada no Centro Histórico de Salvador – e, assim, questionam o “upgrade” imposto a este espaço urbano, fincado na lógica “estável” da cidade formal.

Daqui alguns dias a interface virtual de nossa revista se re-des[dobra]rá em CORPOCIDADE, na recepção e debate, na oficina e intervenções, em nós e em você.